quarta-feira, 13 de abril de 2011

AS REGRAS DO MÉTODO SOCIOLÓGICO

INTRODUÇÃO

Émile Durkheim (1858-1917), sociólogo francês, era formado em Direito e Economia mas dedicou toda a sua obra à Sociologia.

É considerado o pai da Sociologia (apesar de ter sido Comte a dar o nome a esta ciência) porque procurou fazer da Sociologia uma ciência e um instrumento de intervenção, dotando-a de um método e de um objecto de estudo para credibilizar a Sociologia como uma ciência rigorosa.

Durkheim parte do princípio que o homem era um animal que se tornou humano porque se socializou, capaz de aprender hábitos e costumes característicos do seu grupo social de modo a poder conviver no meio deste.

No livro “As Regras do Método Sociológico”, Émile Durkheim define uma metodologia de estudo que, sendo em grande parte extraída das ciências naturais, dá uma identidade à nova ciência – a Sociologia, e define quais as regras a seguir na observação e explicação do objecto de estudo. Esta questão não tinha sido abordada por nenhum outro sociólogo. Assim, Durkheim dedica-se a elaborar um método adaptado à natureza particular dos fenómenos sociais.

Começa por definir o que entende por facto social (objecto de estudo da Sociologia) e quais são as suas características (Capítulo I), enumera as regras relativas à observação dos factos sociais (Capítulo II), à distinção entre o normal e o patológico (Capítulo III), à constituição dos factos sociais (Capítulo IV), à sua explicação (Capítulo V) e à utilização da prova (Capítulo VI), terminando a obra com a conclusão onde enumera as características gerais do método sociológico.

DESENVOLVIMENTO

Para Émile Durkheim o objecto de estudo da Sociologia são os factos sociais. A sociedade condiciona e controla as acções individuais. O indivíduo aprende a seguir regras não criadas por ele e que limitam a sua acção e estabelecem punições para quem não obedecer aos limites da sociedade.

Durkheim propõe um método que destaca a posição de neutralidade e de objectividade que o sociólogo deve ter em relação à sociedade, não deixando que as ideias e opiniões pessoais interfiram na observação dos factos sociais.

Mas o que é um facto social?

Um facto social refere-se a um ambiente particular e a um determinado tipo de sociedade pois decorre num espaço de tempo e espaço físico específico, com características únicas.

Para Durkheim um facto social consiste num modo “de agir, de pensar e de sentir exterior ao indivíduo e dotado de um poder coercivo em virtude do qual se lhe impõe.” [1]; isto é, uma acção com sentido externo à individualidade. Durkheim demonstra que os factos sociais têm características próprias que os distinguem dos fenómenos sociais estudados por outras ciências.

A regra fundamental que Durkheim estabelece para a observação dos factos é “Considerar os factos sociais como coisas” [2]. O investigador sociólogo deve colocar-se num estado de espírito semelhante ao de um físico ou químico num laboratório, de forma a tratar os objectos de estudo enquanto realidades externas à sua consciência. Para que os factos sociais pudessem ser tratados como coisas, passíveis de serem submetidos ao método positivo, Durkheim precisou de lhes conferir o estatuto de objectos do conhecimento científico diferenciando-os dos factos individuais ou psicológicos e dos factos gerais ou vulgares, construídos a partir do senso comum.

Nem tudo o que uma pessoa faz é um facto social; para ser um facto social tem de atender a três características:

Generalidade – o facto social é comum a todos os membros de um grupo; deve ser geral por ser colectivo e não colectivo por ser geral.

Exterioridade – o facto social é exterior ao indivíduo, existe independentemente da sua vontade e impõe-se como modelo de acção e de valores nos quais os indivíduos são educados;

Coercividade – os indivíduos vêem-se obrigados a seguir o comportamento estabelecido, independentemente da sua vontade. Este poder coercivo pode ser verificado na resistência que o facto social proporciona quando há uma tentativa individual de ir contra ele e pode estar presente sob a forma de sanção ou castigo que visam impedir o acto de contrariedade ou “anulá-lo e restabelecê-lo sob a sua forma natural”.[3]

Tal como a Biologia e a Física estudam os factos da natureza, a Sociologia estuda os factos sociais. Os factos sociais devem ser observados e abordados a partir do seu exterior, partindo-se do princípio que nada se sabe sobre eles. O sociólogo deve afastar-se das prenoções que tem acerca do que vai estudar; só esse afastamento irá conferir à Sociologia a objectividade necessária; partindo das coisas em si mesmas para as ideias, pois as coisas são o que realmente se impõe à observação enquanto as ideias que delas se tem poderão ser menos verdadeiras e mais especulativas. Ao iniciar uma investigação o sociólogo deve “definir aquilo de que trata, para que se saiba e para que ele saiba bem o que está em causa” [4]; esta definição deve ser procurada a partir das características exteriores e superficiais do objecto pois são vistas em primeiro lugar. Durkheim estabelece, assim, que “Nunca tomar como objecto de investigação senão um grupo de fenómenos previamente definidos por certas características exteriores que lhes sejam comuns, e incluir na mesma investigação todos os que correspondam a esta definição.”[5]; isto é, o investigador deve definir precisamente as coisas de que trata o estudo a fim de que se saiba e de que ele saiba bem o que está em questão e o que deve explicar.

A sensação, base do método indutivo e empírico, pode ser subjectivo. Por isso, deve afastar-se todos os dados sensíveis que corram o risco de serem demasiado pessoais ao investigador. “Quando, portanto, o sociólogo empreende a exploração de uma qualquer ordem de factos sociais, deve esforçar-se por considera-los sob um ângulo em que eles se apresentem isolados das suas manifestações individuais.”[6]

Para Durkheim, o seu método sociológico tem três características básicas que o distinguem dos seus antecessores na Sociologia, Comte e Spencer.

1. “É um método independente de qualquer filosofia.”[7]; isto é, não tem que estar vinculado a qualquer visão filosófica ou ideológica. “A Sociologia (…) não será nem individualista, nem comunista, nem socialista, no sentido em que vulgarmente se empregam estas palavras.”[8]

2. “O nosso método é objectivo. É totalmente dominado pela ideia de que os factos sociais são coisas e como tais devem ser tratados.”[9]

3. “ (…) é exclusivamente sociológico.”[10] Isto é, não deriva da forma da filosofia tratar a sociedade, nem da psicologia, nem das ciências naturais, uma vez que afirma que a sociedade tem uma natureza própria, não deriva nem da natureza humana, nem das consciências individuais, nem das constituições orgânicas dos indivíduos.

CONCLUSÃO

“Na visão durkheimiana, o acontecimento de um fato social é um fenómeno colectivo, requer aceitação da maioria, não devendo ser confundido com o consenso geral, pois, em sociedades mais complexas, os conflitos de ideias devem ser considerados elementos naturais na dialéctica das relações interpessoais do ser humano, e estas relações, permeiam nossa vida social, colectiva e quotidiana.”[11]

Após a leitura da obra e a realização deste trabalho, destaco a grande contribuição de Émile Durkheim no campo sociológico. Ele deu à Sociologia um método rígido e sistemático de modo a combater as ideais pré-concebidas que, de algum modo, poderiam interferir no trabalho do sociólogo; elevou a Sociologia para um patamar elevado afirmando-se como disciplina científica e, por essa razão, mais credível.

BIBLIOGRAFIA

Émile Durkheim, As Regras do Método Sociológico, Editorial Presença, 11ª edição, Lisboa, Abril, 2010

http://pt.shvoong.com/social-sciences/sociology/1807868-regras-m%C3%A9todo-sociol%C3%B3gico/

http://sociologianasaladeaula.blogspot.com/

http://www.culturabrasil.pro.br/durkheim.htm

http://www.jstor.org/stable/2778144 - Social Facts and Rules of Practice, Glenn Mulligan and Bobbie Lederman, The American Journal of Sociology, Vol.83,Nº3 (Nov.,1977), pp.539-550



[1] As Regras do Método Sociológico, Editorial Presença, 11ª edição, p. 39

[2] Idem, p. 49

[3] Idem, p. 38

[4] Idem, p. 66

[5] Idem, p. 67

[6] Idem, p. 76

[7] Idem, p. 163

[8] Idem, p. 164

[9] Idem, p. 165

[10] Idem, p. 166

[11] http://pt.shvoong.com/social-sciences/sociology/1807868-regras-m%C3%A9todo-sociol%C3%B3gico/

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